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 Havia um tempo em que as manhãs eram sempre douradas, fosse frio ou calor, chuva ou sol. O ritmo da vida era intensificado pelo colorido dos sonhos, os corações pareciam brandos, os pensamentos faziam parte de algo poético e musical, a mágica era extremamente real nos dias em que o vento soprava uivante pelos campos, onde o que se fazia verdade era o amor e as cores da infância.
 Hoje, lembro-me com saudades daquilo que eram momentos verdadeiros e intensos na vida, lembro-me do começo de tudo, quando brincávamos sob o sol quente, ou quando a chuva caía lenta e fria sobre nossas cabeças e agora sei,  isso era viver intensamente a vida que Deus nos deu.
 Agora restam lembranças, pequenos instantes em que a mente busca com dificuldades memórias que fazem os olhos marejarem, mas sei que são lágrimas de saudades, de um tempo em que a felicidade e o sorriso puro fizeram parte da minha história, tudo era novidade e tudo era novo.
 Deixamos, por muitas vezes, o cotidiano levar para bem longe essas lembranças, às vezes, é como se nem tivéssemos vivido, passamos tão rapidamente por algo simples que nos faz lembrar a infância, que quando envelhecemos, simplesmente paramos e não pensamos...
 ...Mas hoje, quero lembrar, relembrar e talvez um dia, voltar a este mundo e ter essas mesmas lembranças: o sol da manhã com a brisa fresca do campo, os pés descalços na grama orvalhada pelo sereno da noite anterior, onde os vaga-lumes eram os únicos brinquedos que podíamos ter e o sono que batia tão rapidamente assim que deitávamos na cama com a velha colcha de retalhos costurada pela vovó, o aroma delicioso do almoço da mamãe, o macarrão dos domingos, o cheiro da terra molhada pela chuva de verão, que insistentemente deixávamos cair sobre nós, as flores germinadas das sementes que vovó me deu e eram tão lindas e coloridas, atraíam borboletas a tardinha, era um belo balé, a horta na porta da cozinha, as cenourinhas que comíamos antes mesmo de virarem cenouras de verdade, as mangas que colhíamos e nos deliciávamos, a água pura que brotava da mina e matava nossa sede em uma quente tarde de verão, o galope do cavalo que nos levava como em um cometa sem paradas!
 Cada um de nós tem sua sina, cada um de nós tem dentro do coração uma lembrança, cada um de nós tem dentro da mente uma memória boa, nem que seja apenas a de um sorriso ou um aperto de mão amigo e sincero. Não deixe que suas lembranças se apaguem, não deixe que suas memórias fiquem perdidas e empoeiradas, faça de cada dia o único, e jamais pense que sorrir, abraçar, amar não valha a pena.
 Eu lembro-me da minha infância com aquela sensação inexplicável dentro do meu coração, algo como um suspiro, um frio na barriga, não sei, só sei que é maravilhoso não deixar essas sensações envelhecerem dentro de mim!

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