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Construindo um lar que não se vê

É muito difícil compreender o tempo de Deus e saber esperar confiando que tudo está certo, que tudo está acontecendo exatamente como deve ser.


Desde que compramos o sítio minha vida mudou. Tudo mudo.


Minha vida, meu modo de pensar e agir, a maneira como enxergo as coisas a minha volta e tudo que me afeta ou mexe com minha existência de qualquer forma. Tudo isso mudou!
O projeto que tínhamos ao longo destes anos foi se modificando e aos poucos tomando o formato que tem hoje. Entendo que se tivéssemos nos precipitado lá atrás para fazermos as coisas acontecerem do nosso jeito, talvez ou com muita certeza, nada teria dado certo.


Quando pisei pela primeira vez naquele lugar senti-me em casa, senti minha alma encontrar um lugar para ficar ou que talvez ela estivesse ali o tempo todo, aguardando o tempo certo. Mas há cinco anos atrás ainda não era o momento de nos mudarmos, muita coisa ainda teria que acontecer e nós teríamos muito a fazer.
 E ainda temos...


Entramos, desde então, nessa roda de mudanças, planos, vontades, paciência, persistência. Uma dança contínua que nos movimenta e nos tira a todo instante da nossa zona de conforto.
Não são flores o fato de termos o sítio.
Muito pelo contrário, são muitas dificuldades, muita paciência, perseverança e acima de tudo, conexão com a Espiritualidade para sentir se estamos no caminho, se estamos fazendo o que esperam de nós, se, se e muitos outros "ses".


Tudo começou com a vontade de levarmos o Evangelho para as pessoas em um lugar especial, repleto de natureza. No início era tudo diferente ideias, vontades, muitos projetos, muitas plantas desenhadas e aos poucos fomos alinhando os pensamentos em conformidade com as inspirações vindas da Espiritualidade.
Desde 2014 até agosto de 2019 esperamos, aguardamos intuições e avisos da espiritualidade para iniciarmos os estudos. A casa grande e o salão de estudos não ficavam prontos e eu sentia que o trabalho precisava começar.


Eu não entendia muito bem, não conseguia compreender e aos poucos, com a paciência que nossos irmãos maiores têm conosco e com nosso tempo, com nossa forma de enxergar e perceber o mundo, foram sinalizando que as dependências desenhadas, projetadas e arquitetadas não estariam prontas, deveríamos iniciar na varanda da pequena casa de dois cômodos onde ficamos quando vamos pra lá.
As dimensões espirituais vão muito além do que podemos ver e o maior exemplo que tentam nos passar é o da persistência, paciência e humildade.
Não é possível subirmos uma escada de muitos degraus sem antes termos iniciado os passos lá embaixo.


Em primeiro de setembro de 2019 começamos o estudo.
Eu, Luciano, os meninos e o Catatau. Só nós e os espíritos desencarnados. Loucura? Não, certeza de que os irmãos maiores estavam ali, confiança que estamos no caminho certo. Nunca me senti tão certa de alguma coisa como naquele dia. Foi lindo!


Desde então há dias em que bate a incerteza, essa fé e confiança inabaláveis não são uma conquista - ainda - do meu espírito, têm domingos em que penso que tudo é uma doideira, que não vai dar certo, que ninguém nunca vai lá ouvir o estudo - digo ninguém encarnado - e blá blá blá...
Mas quando chego e sinto aquela energia, fecho os olhos para a prece, pronto... Tudo isso passa, Deus me abraça, os amigos da espiritualidade me intuem e eu sou tomada por um sentimento de paz, acolhimento, certeza de que é isso que temos de fazer.


Meus filhos? O mais velho não participa, mas ouve. O mais novo participa, algumas vezes até opina. Já tivemos três encarnados participando conosco, foram algumas vezes e hoje não vão mais. É o tempo de cada um, nem sempre temos ouvidos para ouvir e olhos para ver.
Já conversei com umas quatro pessoas que me contam histórias de algumas casas espíritas que começaram assim, meses e algumas até anos com duas ou três pessoas encarnadas fazendo o Evangelho "sozinhas", sem os encarnados (pessoas vivas!, como eu e você), somente com a presença da espiritualidade.
Isto é a constituição energética da casa. É a prova que os trabalhadores encarnados necessitam  para adquirirem a persistência, a paciência e conquistarem a confiança que os conduzirá à fé.


Tudo o que escrevo é muito bonito, essa conexão com o Altíssimo, a natureza que nos cerca durante os estudos e que mostro sempre nos stories no meu perfil no Instagram - ainda não me segue? ( clica aqui pra conhecer um pouco desse lugar maravilhoso que relato) é tudo muito encantador, mas só nós sabemos os espinhos que nos machucam, as pedras que nos atingem, a dor e a dificuldade de estar ali todo santo domingo.


A necessidade de orar e vigiar só aumenta, os tropeços e quedas que tivemos nesse percurso - e que teremos ainda, eu sei -, as lágrimas, dúvidas, medos estão sempre presentes. Estamos caminhando na corda bamba tentando encontrar o equilíbrio entre a matéria e o espírito.


Sobre tudo isso eu digo sempre, você pode querer abrir qualquer coisa, qualquer estabelecimento uma pousada, um restaurante, um bar, uma loja, qualquer coisa. Pra isso você irá se programar, construir ou alugar, projetar, definir metas e no tempo do homem você abrirá, mas abrir as portas para falar de Deus, levar o Evangelho de Jesus com seriedade, verdade responsabilidade e acima de tudo, lógica e sensatez, não é no seu tempo, não é nos seus projetos, nas metas pré estabelecidas pelos homens, é no tempo d'Ele, segundo a vontade desse Deus que nos conduz muitas vezes sem nem ao menos percebermos e agradecermos.


Ainda estamos em meio a tempestade, tentando encontrar abrigo embaixo da nossa fé, frágil e trincada fé. O caminho é esse, fomos chamados e aceitamos, poderíamos e podemos a qualquer instante desistir, o trabalho continuará em outro local com outros trabalhadores. Mas o difícil é conhecer as leis, saber do Evangelho, encontrar Jesus e ainda assim virar as costas para desistir.
Há momentos de abalos, há sim muitas horas de pensamentos de desistência por medo do desconhecido, medo da responsabilidade que nos aguarda logo ali, mas é um caminho sem volta, não há mais como resistir ou abandonar a luz que nos circunda e irradia, ainda fraca, iluminando um caminho escuro e até então inexplorado, mas que sabemos, nos levará a felicidade real e perpétua que Jesus nos prometeu.


Hoje decidimos, por razões que não convém serem escritas, continuarmos com os estudos domingo sim, domingo não. Sei que estamos amparados, agradeço imensamente o chamado de Deus em minha vida e peço que continue tendo força, fé e coragem para continuar nessa estrada auxiliando àqueles que necessitam muito mais do que eu, como imperfeita e também necessitada preciso.
Beijos de luz!




 





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